Teorias da Comunicação

Teorias da Comunicação

Capitulo 2 –  conhecimento científico da comunicação

Uma das noções centrais da comunicação que a tome como objeto é a noção de PARADIGMA. Da filosofia grega antiga, paradigma quer dizer ‘fazer-aparecer’. Em plano filosófico é a ‘afirmação de uma identidade’.

(ADOTAR UM PARADIGMA É ADOTAR UM PONTO DE VISTA)

TEORIA é a construção intelectual, o modo de apresentação de um saber.

MODELO é o instrumento organizado que simula tal realidade.

  PARADIGMA corresponde ao  CÓDIGO  
  TEORIA corresponde a  CODIFICAÇÃO  
  MODELO corresponde a    MENSAGEM

A comunicação tem sido objeto de estudos de reflexões teóricas, analises empíricas e críticas filosóficas por parte dos domínios científicos como a sociologia, psicologia, antropologia, história, filosofia, ciências sociais, ciência politica e psicanalise.

 A COMUNICAÇÃO EM SENTIDO PLENO REGE A VIDA DE TODO SER HUMANO.

Os estudos de comunicação acolheram, no Brasil teorias e modelos que provinham do funcionalismo sociológico, inicialmente dos EUA ou da França com a semiologia linguística.

Os 7 paradigmas da comunicação são:

  1. Paradigma Funcionalista-Pragmático
  2. Paradigma Midiológico
  3. Paradigma da Matemática-Funcional
  4. Paradigma Culturológico
  5. Paradigma Conflitual-Dialético
  6. Paradigma Conceitual ou Crítico-Radical
  7. Paradigma Horizontal-Interacionista

Capítulo 3 – Modernidade e meios de comunicação

Divide-se a história da humanidade em quatro períodos

  1. Antiguidade
  2. Idade-media
  3. Idade-moderna
  4. Época contemporânea

A idade Moderna teria seu inicio em 1492 com a descoberta da América, terminando em 1789 com a Rev. Francesa.

A noção de modernidade se sustenta em pelo menos três núcleos de significação:

  1. Significação cultural, cognitiva e ética
  2. Significação econômica e social
  3. Significação politica

MODERNIDADE: conjunto de transformações que ocorreram no âmbito da cultura e da vida social no curso dos últimos três séculos.

A modernidade assinala o gradativo apagamento da perspectiva espacial, à qual de denomina DESTERRITORIALIZAÇÃO.

Modernidade e mídia estão eternamente vinculadas, em relação de ascendência e descendência.

O QUE É A MIDIA? LUGAR PARA ONDE TUDO CONVERGE

Na modernidade a mídia desempenhou um importante papel no âmbito da existência psicossocial coletiva, em sua condição de necessária referencia à orientação para a vida do cotidiano.

Capítulo 4 – modelos teóricos de comunicação

  1. PARADIGMA FUNCIONALISTA-PRAGMÁTICO (EUA 40-60)

Autores: Lazarsfeld, Lasswell e Klapper.

  • 1900-1930 – seres humanos obedeciam a automatismos comportamentais
  • Meios de Comunicação tinham controle absoluto de tudo
  • Urbanização e industrialização
  • Grandes cidades formam a mass society anulando as diferenças individuais.

MODELO DA AGULHA HIPODÉRMICA: fonte emissora (ativa) e fonte receptora (passiva).

  • Solo filosófico está o positivismo e o pragmatismo e na questão do método trabalha com a investigação empírica.
  • Explica a sobrevivência dos costumes e tradições através da organização social.
  HAROLD LASSWELL  PAUL LAZARSFELD LJOSEPH KLAPPER
  Provém da Arte Retórica de AristótelesPretende determinar a estrutura e a função da comunicação na sociedadeO contexto histórico de Lasswell situa a comunicação política e publicitária.   O ato comunicativo QUEM DIZ O QUÊ, PRA QUEM, POR QUE MEIO E COM QUE EFEITO?    Premissa que todo ser humano deve fazer escolhas.Cada indivíduo é capaz de procurar um meio de comunicação em sintonia com suas convicções e interesses.Nega um público massivo sem reagir.   OS EFEITOS DA MÍDIA PODEM SER DE REFORÇO E NÃO DE MUDANÇA.  Estudos dos efeitos entre a dec. de 40-50.Determina os efeitos dos anúncios sobre o comportamento do consumoAnalisa as campanhas eleitorais sobre o comportamento das escolhas políticas. SE ORIENTA PELAS MENSAGENS À PERSUASÃO.

MODELO TEÓRICO DOS USOS E SATISFAÇÕES: explica os altos graus de consumo psicossocial dos meios de comunicação. (esse modelo teórico está próximo ao funcionalismo psicológico).  

  • PARADIGMA   MATEMÁTICO-INFORMACIONAL  (EUA)

Autores: David Berlo e Wilbur Schramm

  • Diagrama formal do comportamento humano
  • Intercâmbio de mensagens pode ser desenhado por uma esquematização da ação levada e da reação obtida.
  • Estudo da comunicação em seres humanos, animais, máquinas interessou ao metemático Nobert Wiener.
  • A preocupação do matemático residia nos sistemas de controle e produção de comportamentos automáticos.
  • WIENER EXTRAIU A IDEIA E O IDEAL DA CIBERNÉTICA
  • A formalização da matemática motivou uma Teoria da Comunicação baseada em princípios matemáticos e estatísticos.
  DAVID BERLO equilibra    WILBUR SCHRAMM 1 só
  Modelo dos Ingredientes de Comunicação – equilibra as posições de emissor e receptorAs mensagens passam a ser retroalimentadas passando a ser um canal naturalBerlo aceita que a fonte emissora e o destinatário tem os mesmos caracteresA Comunicação não é somente a partilha de significados, mas o que eles revelam.   TORNOU-SE CONHECIDO PELA TEORIA DO BALDE: comunicar significa verter ideias.    Considera o emissor e receptor uma só pessoa.Comunicador e receptor sempre se situam em ‘campos de experiência’O comunicador CODIFICA a mensagem e o receptor DECODIFICA.Principais conclusões de Schramm: dificuldades de propor uma teoria unificada e sistemática da Comunicação; combinar a comunicação com uma psicologia e sociologia; comunicação é uma relação interativa; comunicação é algo que todos fazemos.

MODELO TEÓRICO-MATEMÁTICO DA COMUNICAÇÃO: se caracteriza por sua extrema simplicidade e fácil compreensão.

Uma fonte emissora -> seleciona mensagens -> emissor codifica > transmite através de um canal -> receptor -> capta os sinais e decodifica.

Esse modelo teórico tem por objetivo responder

  1. QUESTÕES TÉCNICAS
  2. QUESTÕES SEMÂNTICAS
  3. QUESTÃO INFORMATIVO-COMUNICACIONAL
  • PARADIGMA   MIDIOLÓGICO

Autores: Marshall McLuhan e Régis Debray

MODELO TEÓRICO DO MEIO COMO MENSAGEM: precursor dos estudos midiológicos, Marshall McLuhan não tem preocupação com a eficácia técnica da comunicação, mas sim com seus efeitos desse processo sobre a sensibilidade individual e coletiva.

  • Tem interesse sobre os resultados relativos sobre as sensações humanas
  • Novos hábitos de percepção
  • A invenção e adoção de uma nova forma de tecnologia traz consigo transformações sociais, políticas e culturais.
  • Uma inovação técnica é informação nova
  • O meio é a mensagem
  • Eletronicamente interligado o mundo torna-se uma ALDEIA GLOBAL

SUA TESE VERSA SOBRE O DETERMINISMO TECNÓLOGICO OPERANDO EM NÍVEIS DA ORGANIZAÇÃO SOCIAL.

MEIOS DE COMUNICAÇÃO (media)

  HOT MEDIA – meios quentes    COOL MEDIA – meios frios
  – livro – jornal – radio (informação bem definida)  – história em quadrinhos – televisão – telefone (informação mal definida)

MODELO TEÓRICO DA MIDIOLOGIA FRANCESA: Régis Debray remete a três esferas de uma mesma temporalidade:

  1. Logosfera: verdade revelada
  2. Grafosfera: manifestação dos conteúdos
  3. Videosfera: verdade como imagem

SIGNOS BEM ORDENADOS MOBILIZAM MAIORIAS SILENCIOSAS

Para esclarecer sua proposição teórica, Debray trabalha com os quatro ‘Ms’

MIDIA – MEDIAÇÃO – MEIO – MENSAGEM

  • A midiologia se ocupa da mídia em sua materialização
  • Debray coloca que a televisão torna homogêneo tudo que é diverso e distrai e não instrui.
  • PARADIGMA   CULTUROLÓGICO

Autores: Edgar Morin, Roland Barthes, Umberto Eco

MODELO TEÓRICO-CULTURAL: A cultura culturológica europeia teve entre seus adeptos o sociólogo Edgar Morin, o semiólogo Roland Barthes e o estudioso da cultura Umberto Eco.

  • A cultura culturológica dá menos importância aos meios de comunicação e confere maior relevância as produções significativas da indústria da cultura como filmes, revistas especializadas, história em quadrinhos, etc.
  • A culturologia corrige a Teoria Crítica ao situar-se no âmbito da antropologia cultural e da analise estrutural

PONTOS EM COMUM ENTRE OS TEÓRICOS

  1. Entusiasmo
  2. Perfeito domínio de uma escrita ensaística
  3. Capacidade de proposição analítica e crítica
  4. Ausência de atitudes preconceituosas

Situam-se em um ponto distante das teorias funcionalistas e frankfurtianas

Edgar Morin – enxerga na cultura massiva uma intensa circulação de imagens, símbolos, ideologias e mitos.

Roland Barthes – se detém ao estudo de aspectos da cultura difundida pelos meios de comunicação

Umberto Eco – professava que a cultura massiva é a forma cultural por excelência do homem moderno. Não há mais como separar cultura e fenômenos de comunicação.

MODELO TEÓRICO DOS CULTURAL STUDIES: Raymond Williams e Stuart Hall

Antonio Gramsci tendo introduzido em âmbito filosófico e político o conceito de hegemonia, foi defensor da cultura popular. Gramsci e seus estudos sobre o folclore traz a cultura para o centro do debate.

Os Cultural Studies situam os meios de comunicação no âmago da sociedade inter-relacionando-os a instituições e indivíduos.

No decorrer de década de 70, os pensadores Stuart Hall e Raymond Wiliams se reuniram no Centre for Contemporary Studies em Birmingham (Inglaterra) e entediam que a cultura é um conjunto de valores, significados, hábitos e experiências adotadas por uma sociedade.

A Antonio Gramsci pode ser creditada a ideia que a cultura popular é fragmentada e desprovida de prestígio, refletindo uma subalternidade.

Os estudos culturais admitem haver um SISTEMA CULTURAL DOMINANTE que se manifesta e interpõe pelos meios de comunicação.

Foca muito nas classes sociais e destaca que o receptor é provido de um repertório cultural (algo esquecido pelos frankfurtianos).

  • PARADIGMA   CONFLITUAL –DIALÉTICO

MODELO TEÓRICO DA PROPOSIÇÃO MARXISTA:

– as classes dominantes detém o controle dos meios

– há um controle e dominação de ideológica

As pesquisas em comunicação nesse paradigma assumem o seguinte:

ABORGAGEM ESTRUTURALISTA: a ideologia embutida nas mensagens

ABORGAGEM POLÍTICO-ECONÔMICA: análise do poder da mídia a um modelo econômico

ABORDAGEM CULTURALISTA: preocupa-se em descobrir por que apenas algumas culturas recebem atenção dos meios

  • Pensadores afinados com o marxismo condenam os modelos funcionalistas pela linearidade.
  • O desenvolvimento capitalista vai da segunda metade do sec. XIX até 1920. Tem início a expansão e a internacionalização de capitais.
  • A transmissão da informação massificada persegue objetivos comerciais e financeiros.

A influencia do pensamento de Karl Marx na reflexão feita sobre os meios de comunicação abarca inúmeros estudiosos como A. Pasquali, F. Jameson, Raymond Williams, Stuart Hall, A. Mattelart, etc.

ESSE PARADIGMA CONFLITUAL-DIALÉTICO SE FUNDA SOBRE O PRINCÍPIO DA CONTRADIÇÃO.

MODELO TEÓRICO DA DEPENDENCIA

CONCEITO: Conceito de dependência pressupõe uma relação de subordinação entre países que interagem com um sistema capitalista.

– Países de economia dependente um dia foram colônia e tiveram um desenvolvimento tardio.

– De modo geral o modelo de dependência analisa, critica e denuncia a dominação.

– Aprendeu-se que as formas de influencia ideológicas são sutis, quase imperceptíveis.

MODELO TEÓRICO NEOMARXISTA

O filósofo Louis Althusser cunhou o termo APARELHO IDEOLOGICO DO ESTADO que compreende a Igreja, escola, forças armadas, poder judiciário, partidos políticos e a comunicação.

Esses meios reproduzem incessantemente as ideologias do capitalismo.

  • PARADIGMA   CONCEITUAL OU CRÍTICO-RADICAL

A ESCOLA DE FRANKFURT (30-40): Na Alemanha, um grupo de intelectuais, incluindo os filósofos Theodor Adorno e Max Horkheimer fundam em 03 de fevereiro de 1923 O Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt – mais tarde viria ser Escola de Frankfurt.

  • O método marxista de revisão histórica foi revisto e proposto uma filosofia da cultura juntamente com a psicanalise de Freud o que se originou a Teoria Crítica da Cultura.
  • Dedicam-se a estudar os males das sociedades capitalistas industrializadas no mundo ocidental.
  • Não usam o termo CULTURA DE MASSA (MASS CULTURE)  e sim INDUSTRIA DA CULTURA (KULTURINDUSTRIE).
  • São contra as certezas empíricas do funcionalismo sociológico – dizem que são análises experimentais.
  • O controle exercido pela mídia pode explicar, entre outras questões, a sobrevivência do capitalismo depois da Segunda Guerra Mundial.
  • As teses defendidas pela Escola de Frankfurt pões em relevo o papel que a IDEOLOGIA desempenhas em formas de comunicação.

O conceito de INDÚSTRIA DA CULTURA se destina a analise critica dos bens simbólicos.

Herbert Marcuse foi um importante pensador da Escola de Frankfurt, radicado nos EUA, foi um importante crítico da cultura e da burguesia.

MODELO TEÓRICO DO AGIR COMUNICACIONAL (70-80): J. Habermas alinhado com a Escola de Frankfurt observa que nem a linha do funcionalismo sociológico e nem a Teórico Crítica de Frankfurt definem de maneira satisfatória o saber especializado e o uso político que delas se faz.

  • Cria em 1981 o conceito do AGIR COMUNICANCIONAL exercidos por atos discursivos.
  • Outro conceito apresentado por ele é ESFERA PÚBLICA  – debates temáticos e de trocas comunicacionais que animavam a vida burguesa.
  • PARADIGMA   HORIZONTAL-INTERACIONISTA

A INTERNET

Os usuários derivam dos benefícios desse serviço, pontos de rede de informação de toda espécie. Vive-se a nova era da interatividade horizontal.

A parte mais convivial da internet é WWW World Wide Web, uma das formas de acesso à informação.

Código informativo HTML – construção das paginas seja escrita, sonora ou textual.

São milhares de sujeitos ocultos ou indeterminados percorrendo sites da Web.

Permite uma escolha de um estilo de vida.

A internet ocupa posições simétricas horizontalizadas – todos habilitados a traçar rotas de significação.

MODELO TEÓRICO DA VIRTUALIZAÇÃO: Pierre Levy teórico do ciberespaço tem se dedicado as mudanças tecnológicas ocorridas no final do sec. XX.

A informação possui hoje caráter pouco consistente e bastante transitório, quanto a comunicação não há mais um pressuposto da verdade. O pensamento de Levy se arrisca a virtualidade – os computadores em rede expansiva transmutam o mundo e modificam o modo humano.

MODELO DA FISSURA TECNOLOGICA: A comunicação mudou o estatudo ao desdobrar-se em áreas tão variadas quanto a mídia, a informática, o marketing, e as ciências cognitivas. Tornando-se uma espécie de ‘nova religião’ adotadas pelas sociedades fragmentadas da pós-modernidade. Hoje, a comunicação está preocupada com o excesso de comunicação. Os processos de simulação constituem uma sinopse de inteligência artificial. Em síntese a comunicação se perverteu

POS-MODERNIDADE

Chama-se PÓS-MODERNISMO um conjunto de fenômenos sociais, culturais, artísticos e políticos que tem lugar em sociedades pós-industriais nas duas ultimas décadas do século XX.

  • Aceleramento da produção tecnológica, multiplicação de produtos fazem a sinergia da informação.
  • Expandiram os mercados, o consumo de bens e reforçaram a concentração do capital.
  • As ideologias perderam prestigio, liquidou-se as utopias, não há mais verdade moral
  • A comunicação e a cultura foram desterritorializadas.
  • Na pós-modernidade há potencialização por tecnologias eletrônicas
  • Os meios de comunicação vem disputando com as instituições tradicionais o domínio hegemônico da construção dos sentidos.

MODELO TEÓRICO-MEDIATIVO: Passar dos meios de comunicação às suas potencialidades de mediação.

Martin-barbero propôs que se observasse o espaço que medeia a fonte emissora e o destinatário.

As tecnologias de comunicação fazem circular novos meios de produção.

Mediar significa fixar entre duas partes um ponto de referencia comum. Mediações são estratégias de comunicação.

  • Não acredita no receptor passivo
  • Não ignora que existem mecanismos de manipulação, mas coloca o foco nas interações
  • Ele fala que as tecnologias são organizadoras da percepção e reorganizadoras de experiência.
  • Ele considera nas mediações a cultura, a sociedade e o individuo.

MODELO TEÓRICO-RECEPCIONAL: São as mediações que explicam e justificam o processo de recepção.

  • Recepção supõe uma modalidade de interação entre produção e consumo.
  • A temática as culturas populares fornecera o quadro de referencias de um modelo de recepção tendo por pontos dos meios as mediações
  • Há duvidas quanto a tecnologia e a mercantilização da cultura estarão cerceando a liberdade receptiva.