O cubo mágico da docência – tridimensionalidade da pesquisa

O cubo mágico da docência – tridimensionalidade da pesquisa

Lendo os textos do Vitor Richter sobre bancos de dados de DNA, antropologia da ciência e sua homenagem à professora Cláudio Fonseca no texto *Uma lição de Imaginação Antropológica* me levou a pensar que toda nossa pesquisa, seja ela qual for, para além de uma *caixa* de mistérios pode ser mágica. Se nossas principais e/ou originais ideias são desenvolvidas a partir de uma *eureka*, não seria isso uma fonte mágica da cientificidade?

A intenção do inventor húngaro, Erno Rubik, era criar o cubo mágico como uma peça perfeita da geometria, e não seria a curiosidade da professora Cláudia ao mostrar à caixa ao aluno uma perfeita ação docente? Até aí tudo está nos planos de quem guia e cria um enredo de uma realidade, o que não se sabe, ou não sabemos, é o que se segue com essas ações. O que se origina de um cubo ou de uma caixa? Quem as criou? Quais suas intenções?  Acredito que o número de combinações possíveis de um cubo mágico como de nossas pesquisas pode ser um arranjo de possibilidades que se iniciam com pequenas ações, frases, pensamentos, diálogos.

Cheguei com a certeza de que iria estudar astrobiólogos que pesquisavam galáxias, como se a minha mágica fosse tão certa como a prova de DNA nos tribunais portugueses.  Mas, na primeira semana de aula, o professor pergunta: 

– Mas e você, acredita em galáxias? (Durmo com essa questão ainda).

É a mesma pergunta que poderia fazer ao Richter agora.

– E você, acredita no nascimento dos dados?

Se para realizarmos todas as combinações possíveis do cubo mágico seriam necessários 1400 trilhões de anos, como poderemos *acreditar* em provas, galáxias, se não em um *sistema* mágico que generaliza inscrições e define lugares e pertencimentos? Com efeitos, e com o aprimorar de todas as ciências que tendem a reduzir danos e custos, o cubo mágico se soluciona em 18 movimentos e que pode levar até um minuto. Então, tudo me leva a crer que número, dados, estatísticas, formulários, *técnicas* do governo (como coloca Richter) são cruciais para termos um diagnóstico da realidade, um resultado no tribunal, que alcança a objetividade e imparcialidade. Mas, onde estaria a mágica aqui? Na produção de traços, pontos, histogramas, números, espectros, gráficos que nós apresentamos a nossa comunidade, seria mágica ou ilusionismo neste caso? Mexemos de lá, mexemos de cá e temos uma perfeição em pouco tempo, a partir daí os pesquisadores usam a infraestrutura de um cubo, de um sistema, de um Estado para mobilizar fatos, eventos, é como no texto nos apresenta – *o truque de Deus* – para nossa prática burocrática, nossa mágica tridimensional, enigmática, mas aos olhos do Estado, verdadeira.

O que segue a partir daqui? Campos de informações *infinitas*. Que a ilusão da ignorância e a prática burocrática seja tão importante quanto a produção do Estado, já diria Mathews em 2008, citado pelo autor. Afinal de contas, o nosso DNA está no cubo mágico dentro da caixa da professora. Por fim, digo que as galáxias são minhas provas que trazem informação genética do nosso universo, pois eu tenho a varinha mágica da palavra!