De pedra e bronze – um estudo sobre monumentos de Valéria Salgueiro

De pedra e bronze – um estudo sobre monumentos de Valéria Salgueiro

MONUMENTO – FUNÇÃO COM O TEMPO E MEMÓRIA

2 SENTIDOS

  1. O sentido do tempo invocado por sua ação memorial
  2. O tempo da sua estrutura física em si, com seus materiais e suas formas

2 OLHARES PARA HISTORICIDADE

  1. Historicidade da prática humana de rememorar
  2. Historicidade da forma materialmente de expressar a memória.

Toda sociedade ergue seus altares de celebração a fim de superar a ruptura com um dado momento histórico.

A APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS – bustos, ornamentos, como esses monumentos se apresentam ampliam sua significação que varia muito conforme a época.

MONUMENTO E IDEOLOGIA

Contribui para manter e preservar a identidade de uma comunidade étnica ou religiosa, nacional, tribal ou familiar. Essas imagens podem desaparecer e ressurgir. É neste processo que os grupos antagônicos entram em disputa e podem fazer com que valores e memórias de outros desapareçam.  Todo espaço de memória compromete-se com traços ideológicos. A afirmação de monumentos e esculturas da elite ao longo da história traz ao lado do tempo o esquecimento de outros mundos, outros grupos, outros interesses.

ESCULTURA PÚBLICA

Até as primeiras décadas dos séc. XX as esculturas públicas ainda eram conservadoras por estarem intimamente ligadas à política. A escultura pública tem muito mais força em ambientes livres, ou seja, sem o controle de atores, neste contexto o vandalismo entrou em cena há um bom tempo já nesta história. A escultura pública também se torna paisagem agregando indivíduos em encontros e reuniões abertas. É na ambiguidade da presença física e sua função significante que permite a escultura pública gerar novos significados independente do tempo de existência e sua criação.

MONUMENTOS E SUAS FÓRMULAS

Além da estátua em si, em baixos relevos, contribuíram para a proliferação de uma declaração política ideológica. Imperadores romanos eram frequentemente donos de suas próprias esculturas, monumentos. Assim, existiam vários estilos e cada imperador poderia desenvolver seu próprio programa de arte.

Monumentos comuns e esculturas frequentes no tempo romano: montado num cavalo; trajando uma túnica e um manto; togado; trajando armadura; na forma de uma estátua idealizada. Ainda sobre as formas podemos lembras dos arcos triunfais, da coluna triunfal, mausoléus, obeliscos, monumentos cívicos, etc.

ESTÁTUAS REAIS – SÍMBOLO POLÍTICO, INSTRUMENTO DE PODER

Na idade moderna a estátua equestre tornou-se uma fórmula política, manifestando estabilidade e autoridade imperiosa do poder. Como local, seu principal destino eram as praças, não só para glorificar os reis europeus, mas também para glorificar e legitimar o sistema monárquico.

MONUMENTOS COMEMORATIVOS

No final do século XVIII e início do século XIX marca um enorme desenvolvimento do monumento comemorativo. Um novo clima social, ideológico e cultural fez despontar uma febre de monumentos na Europa buscando valorizar virtudes de uma sociedade moderna, iluminista e liberal. Novos sentidos despertam por uma busca de símbolos e por uma nova sintaxe pessoal para expressar o desejo de recomeço, frequentemente monumentos acompanhados de jardins. O apelo ao clássico na cultura visual perdurou até a metade do século XX.

UM LUGAR COMUM: REALISMO ACADÊMICO E CONTEÚDO ALEGÓRICO

As alegorias passaram a atingir um público maior, familiarizado com a cultura humanista. O positivismo influenciou a arte dos monumentos, a influência sobre a predominância do gosto por retratos realistas, usando uma iconografia mais acessível ao público geral, com plano de fundo de uma perspectiva pedagógica.

O CULTO AOS “GRANDES HOMENS”: OS NOVOS “SANTOS” DA RELIGIÃO DA CIÊNCIA 

Desde o século XVIII o potencial didático das estátuas ganhou notoriedade, homenagem a pessoas de mérito encorajava a construção do seu monumento em bronze nos espaços públicos das praças europeias. Ao reconhecer pessoas por suas realizações, e não por sua origem, resultou em uma filosofia igualitária do Iluminismo, desenvolvida primeiramente na Inglaterra.

O MONUMENTO, O MODERNISMO E A CONTEMPORANEIDADE

Para concluirmos, a escultura pública constituiu tradicionalmente a principal parte de qualquer monumento, permanecendo conservadora até o início de 1900. No início do século XX as esculturas e monumentos começam a ser questionadas em suas bases além das demandas estéticas da modernidade. O capitalismo trazia consigo novas formas e materiais como o vidro, o aço e o concreto. A renovação estética foi a ruptura entre os monumentos clássicos e o movimento modernista internacional. No monumento moderno ocupa-se espaços voltados para as massas explorando questões até em suas texturas, proporções e materiais.  

PARA REFLEXÕES

  • como trabalharmos os monumentos históricos a partir da educação infantil?
  • como usar significados e significantes para a educação de crianças relacionadas à monumentos históricos?
  • como operam essas obras e construções em espaços de resistências?