A aventura interdisciplinar – quinze anos de PPGICH/UFSC

A aventura interdisciplinar – quinze anos de PPGICH/UFSC

ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO.

CONDIÇÃO HUMANA NA MODERNIDADE: busca esclarecer e compreender os fenômenos complexos aos grandes dilemas da humanidade nos tempos modernos, enfocando a globalização e suas influências sobre a técnica.

ESTUDOS DE GÊNERO: busca estudar o lugar do gênero nos campos disciplinares das Ciências Humanas como campo interdisciplinar.

SOCIEDADE E MEIO AMBIENTE: busca o estudo interdisciplinar da problemática socioambiental em sentido amplo dentro do debate da globalização dos riscos e desafios sobre a sua governabilidade.

O PPGICH continua sendo o lugar privilegiado de experimento inusitado e o único curso interdisciplinar do sul do país.

Scheibe (2010) aponta sete perspectivas/reflexões para os estudos interdisciplinares:

  1. A necessidade das humanidades se repensarem de ponto de vista epistemológico.
  2. O desafio de criar uma teoria crítica.
  3. A urgência em aprofundar o questionamento das teorias da sociedade.
  4. Repensar o significado marxista do ideal humano.
  5. Desafio de recriar as relações entre iguais e não-iguais.
  6. A necessidade de modificar diferentes campos de especialização.
  7. Fortalecer a própria atividade acadêmica.

O relatório da Comissão Gulbenkian (1996) tão relevante para o aprimoramento das ciências sociais recomenda claramente “abrir das ciências sociais”, no sentido de reconhecer as evoluções da sociedade e da natureza.

As teorias da sociedade, da cultura e do indivíduo até o século XIX estavam influenciadas por naturalistas/organicistas importadas às ciências naturais. Os fundadores das ciências sociais modernas desconhecem esse legado. A crítica verifica os obstáculos epistemológicos a serem vencidos em uma aproximação entre as ciências sociais e as biológicas no atual momento. As ciências sociais não podem desconhecer a urgência das questões latentes na modernidade da técnica atual.

ZIZEK – segundo Zizek, a resistência de Habermas ao conhecimento específico da natureza humana se expressa em resistência a ter que enfrentar as redefinições de valores como a ética, a responsabilidade, a autonomia, etc.

CIENCIAS BIOLÓGICAS – estão colocando em evidência é que todos os reducionismos no campo das ciências humanas supõe uma sacralização do humano, onde o humano é entendido de forma antirrealista a partir das categorias do Iluminismo.

(Donna Haraway).

FREUD – remete-se a antiga distinção entre as ciências naturais e as ciências do espírito, como se Freud reconhecesse a inevitabilidade do campo próprio à psicologia e às demais ciências humanas, que só poderia ser tratado de forma interdisciplinar.

HUSSERL – sublinhava a importância de se evitar o enclausuramento das Humanidades em si mesmas, gerando psicologismos, sociologismos, historicismos, etc. Nesse sentido, a fenomenologia poderia ser entendida como uma “ciência eidética”, isto é, uma “ciência das essências”.

PSICANÁLISE – no surgimento, a psicanálise não esteve pautada por ser um programa filosófico que a inserisse dentro de uma perspectiva epistemológica clara. Mas devido a formação médica de Freud, assumia uma teoria do conhecimento fisicista, que remetia suas descobertas no âmbito das ciências naturais.

Não subordinadas ao campo das ciências naturais e não formalmente inseridas no campo das ciências humanas, Freud caracterizava seu método como interdisciplinar.

INTERFACES TEMÁTICAS – teoria das elites, ação comunicativa e cultura política. É preciso reconhecer que nenhuma das três abordagens utilizadas apresenta resultados satisfatórios na tentativa de resgate das dimensões identitárias da proposta por Habermas.

            A ideia inicial intuitiva é que convém buscar as interfaces temáticas entre as diferentes abordagens ou disciplinas. Aqui não se trata de esperar que todas contribuam para o conhecimento, mas que ao menos surjam contribuições sobre o tema tratado.

Gilberto Velho discute a necessidade de uma visão interdisciplinar nas estudos de qualquer realidade humana, pela impossibilidade de desconsiderar as dimensões biopsicológicas e sociocultural do comportamento humano.

Na confluência do que é interdisciplinaridade podemos caracterizar a abordagem interdisciplinar como um processo, uma construção conjunta, onde diversas disciplinas e autores dialogam na percepção de um objeto de forma aprofundada, conectando dimensões de tempo e espaço.

A revolução das comunicações e a difusão da tecnologia da informação estão profundamente ligadas a processos de globalização, nasce uma sociedade dinâmica.